Entrevista com Randy "Gibbs" Gibbons, analista da RLCS

junho 17, 2021      

Estamos nos aproximando da final da Rocket League Championship Series [RLCS] X neste fim de semana, então é hora de saber mais sobre uma das estrelas da mesa de análises: Randy "Gibbs" Gibbons. Desde a Temporada 1, Gibbs é uma das grandes figuras do Rocket League. Ele passou de competidor a analista, explicando toda a ação em detalhes a cada semana e compartilhando seu valioso conhecimento sobre o esporte. 

Saiba como ele entrou no mundo dos videogames, como era a vida dele antes do Rocket League e quais são as partes mais legais e mais difíceis de ser um analista do Rocket League Esports nesta entrevista do Destaque da comunidade. 

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MP: Quando você começou a jogar videogame?

Gibbs: Quando eu era criança. Eu não era tão ligado em jogos no começo. Eu tinha um Nintendo e tal, mas só me interessei de verdade quando tinha uns 15 ou 16 anos. Na época do PlayStation 2 Online, do SOCOM, foi aí que eu entrei de cabeça. Eu jogava Halo 1 com meus amigos. Éramos quatro. Eu e meu melhor amigo éramos muito bons para ficar na mesma equipe, então a gente se separava. Mas quando conseguimos o PlayStation Online com o SOCOM, vimos que podíamos ficar na mesma equipe. Foi aí que percebemos que éramos bons demais. Tipo, a nível mundial. Foi quando comecei a participar de competições online.



Teve alguma coisa nesse período entre o SOCOM e o Rocket League?

Eu competi em alguns jogos de tiro em primeira pessoa, de consoles, em nível semiprofissional. Eu e meus amigos procurávamos torneios de jogos menores. Nós não queríamos treinar até a exaustão em jogos como Call of Duty, Halo ou Gears of War. Então procurávamos jogos menores, como Prey. Por um certo tempo, eu fui o melhor jogador do mundo nesse jogo. Tinha também o Haze, do PlayStation 3, não sei se você se lembra. Uma vez, ganhamos US$ 5 mil em um torneio desse jogo. Eram coisas assim. Como descobríamos esses jogos: "ah, vai ter um torneio desse jogo. Ninguém vai participar. Vamos lá jogar só por diversão". Porque éramos naturalmente bons nesse tipo de jogo. 



Você queria ser o "peixe grande na lagoa pequena"?

Basicamente, sim. Nós não queríamos praticar, só queríamos jogar coisas que ninguém estava jogando. [risos]



Foi assim que você acabou competindo em Rocket League? Você simplesmente entrou antes de todo mundo entrar?

Eu joguei primeiro Supersonic Acrobatic Rocket-Powered Battle-Cars (SARPBC). Eu era um dos peixes grandes nesse caso. Era eu quem criava os torneios para todo mundo. Não tinha muita gente que jogava esse jogo. Um dos torneios era 2x2, mas as mesmas pessoas jogavam em várias equipes diferentes porque não tínhamos jogadores o suficiente. Eu e alguns dos desenvolvedores formamos equipes só para preencher as vagas. Eu me diverti com aquilo por um ano e meio, mais ou menos, e esperei para ver o que vinha a seguir. Foi então que a versão alfa do Rocket League apareceu e eu me joguei nela. 



Mas você precisou investir muito do seu tempo para ficar tão bom em tão pouco tempo, não é? Quantas horas você dedicava ao jogo nessa época? 

Eu nunca achei que fosse muito bom [risos]. Igual no SARPBC, nunca fui tão bom, eu só jogava de forma inteligente. Se você olhasse as classificações, ia me ver no final da lista. E quando o Rocket League chegou, eu me diverti com ele, mas não diria que eu detonava. Eu não passava um monte de horas jogando porque trabalhava em tempo integral e tudo o mais. Eu jogava o quanto podia e dei sorte de formar uma equipe com Kronovi e SadJunior, que eram jogadores incríveis. Eu deixei que eles fizessem o que sabiam de melhor e aproveitei a onda durante os primeiros meses do esport. 



Que legal. Você competiu por pouco menos de um ano, não é? 

Isso. A Rocket League Championship Series [RLCS] estava chegando. Assim que fizeram o anúncio e grandes quantidades de dinheiro começaram a entrar, eu sabia que era a hora de me retirar. Eu sabia qual era o meu auge. Sabia que o pessoal novo que estava chegando se tornaria melhor do que eu. Então o meu plano era jogar a primeira temporada e me mandar. E meu primeiro filho ia nascer na época. Esse foi outro grande motivo para eu parar. Kronovi e SadJunior foram as primeiras pessoas a saber que eu ia ter um filho. Eles sabiam no final do primeiro torneio que eu não ia mais jogar. 



Foi uma decisão difícil? 

De jeito nenhum. De qualquer forma, eu já estava planejando parar de competir em esports. Eu comecei do zero e cheguei onde cheguei. E pensei: "Já deu. Não preciso mais de esports". Então veio o Rocket League e eu me deixei levar. Foi como uma despedida. Não achei que daria em alguma coisa. Eu só estava me divertindo, e do nada isso caiu no meu colo e acabou virando um trabalho com a RLCS. 


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Por acaso uma parte sua pensou: "ok, já estou no topo ou perto disso. Se eu dedicar mais tempo ao jogo, posso curtir com a garotada que está chegando."? 

Não, [risos] de jeito nenhum. Meu papel era de suporte. Kronovi e SadJunior eram melhores do que eu. Eu sabia o meu lugar. Você precisa de três pessoas incrivelmente boas em uma equipe, como o que estava acontecendo na Europa na época. Sabia que ia acabar nisso. Eu conhecia meus limites. Se eu me dedicasse por várias e várias horas, aí quem sabe? Mas o risco era grande, e eu não queria arriscar. 



Você sente falta de competir? 

A gente sempre sente falta da competição, sabe? Das partidas cheias de pressão e coisas do tipo. Mas eu não sinto tanta saudade assim. Eu gosto muito mais do que faço agora. Não sinto falta dos treinos e do esforço todo. Claro que tenho saudade das partes boas, mas não faria tudo de novo agora. 



Naquela época você estava saindo da casa dos 20 anos. Como era a vida fora do Rocket League? 

Era só meu trabalho de escritório em tempo integral, praticamente. Eu fazia alguns vídeos no YouTube à parte. Ninguém se dedicava a ensinar jogadores novos a jogar. Eu ensinava posicionamento e essas coisas mais básicas. A maior parte das pessoas estava tentando aprender a jogar. Eu não estava tentando ensinar manobras aéreas doidas nem nada porque eu mesmo não sabia fazer essas coisas. Acho que foi isso que ajudou a atrair o público.



Como era seu trabalho de escritório?

Eu trabalhava com contabilidade. Era bem sem graça. 



Eles sabiam que você competia e que depois virou analista? 

Eles sabiam porque eu precisei tirar dias de folga para competir. Depois de um tempo a empresa foi comprada e, dois meses depois, fui mandado embora. O escritório todo fechou. Não foi muito legal o que eles fizeram porque eles sabiam que minha esposa estava grávida e eu ia tirar licença paternidade, só que me demitiram antes disso. Mas, na verdade, eu fiquei bem feliz. Toda semana eu trabalhava de segunda a sexta, das 9h às 17h, e depois voava direto para a costa oeste para a RLCS. Depois, pegava um voo noturno no domingo para voltar para o trabalho. Isso durou um mês e meio, e precisava acabar. 



Como foi a transição de jogador para analista? 

Eu dei muita sorte. Eu tinha o meu canal do YouTube. Eu falava muito sobre Rocket League, ao mesmo tempo em que trabalhava no escritório. Foi aí que o GoldenBoy me mandou uma mensagem e disse que tinha uma oferta da RLCS perguntando se eu queria transmitir. Eu não queria, mas não podia perder essa chance. Eles queriam um ex-profissional na mesa para falar do Rocket League. Naquela altura, ainda não sabíamos se eu ia transmitir partidas ou trabalhar na mesa. Eu não achava que estava pronto para transmitir partidas. Então o trabalho em tempo integral na mesa veio para mim porque não tinham mais ninguém para essa função. Meio que deu tudo certo. Eu meio que entrei por sorte. 



Você tinha alguma experiência na frente das câmeras ou com transmissões? 

Nenhuma. Eu assistia a vários esportes. Eu conhecia muitas das nuances de esportes diferentes. Eu tinha esse conhecimento, mas não é o bastante. Eu simplesmente comecei a fazer isso sem nenhuma experiência, como a maioria de nós no começo. Eles apostaram na gente, e acabou compensando no final. Muito do pessoal da Temporada 1 ainda está aqui. 

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Qual é a parte mais difícil de ser um analista do Rocket League? 

Certo, vamos falar sério agora. Eu sempre tive um problema grave de fala, um tipo de gagueira. Eu tinha dificuldade com algumas palavras. É como se meu cérebro me dissesse no meio de uma frase: "Você não consegue falar uma palavra que começa com 's'". Então, quando estou em uma apresentação ou até mesmo em uma conversa, tenho que reorganizar as frases. Meu cérebro tem que trabalhar muito mais do que deveria para poder falar. É um esforço mental e físico. Eu tinha muitos problemas auditivos quando era criança. Eu demorei para começar a falar e tinha vários problemas de fala. Pedir comida ou falar no telefone, por exemplo, é bem difícil. Às vezes eu não consigo pronunciar alguns itens do menu. Acontece de eu ficar bem durante meses, e então vem um mês ruim em que não consigo fazer as palavras saírem. Não tem sido tão ruim na RLCS. Eu estou conseguindo manter sob controle. Se eu tento forçar a pronúncia ou mudar minha voz fica mais fácil. 

Eu acho que dá para perceber às vezes, e outras vezes ninguém nota. Por um bom tempo, ninguém da equipe de transmissão sabia que eu tinha esse problema. Eles perceberam mais nesse último ano, porque ficou mais complicado agora que estou fazendo tudo de casa. Eu tento lutar contra isso em toda apresentação. 

É o principal motivo pelo qual nunca pensei que trabalharia com isso. Estar envolvido com videogames foi uma ajuda enorme. Coisas como estar em uma equipe, precisar me comunicar, ser parceiro da equipe. Os videogames me ajudaram demais, em geral. Melhoraram minha fala. 



Quando o GoldenBoy pediu para você ser o analista da mesa, isso passou pela sua cabeça? 

Com certeza. Quando eu precisava fazer uma apresentação na faculdade, ficava muito nervoso. E quando eu fico nervoso, minha fala piora. Teve uma vez, durante uma apresentação da faculdade, que empaquei em alguma coisa. Uma pessoa riu e deu para ouvir. Eu nunca vou esquecer disso. Sempre foi uma preocupação, mas como analista, eu sabia aonde estava indo. Era Rocket League. Somos uma família assistindo juntos a esse jogo incrível. Estamos todos aqui para curtir. Eu nunca fico nervoso em apresentações do Rocket League. Na pior das hipóteses eu dou uma vacilada. E sei que os fãs não vão ligar. Estamos aqui pelo Rocket League e queremos ajudar uns aos outros. 



Qual é a melhor parte de ser um analista? 

O melhor é curtir com a galera. Eles já são a minha família. Quando eu vou trabalhar e a gente passa o tempo entre os jogos conversando sobre qualquer coisa. É nessa hora que eu curto com meus amigos. Eu sou pai de duas crianças. Não tenho tempo para ficar de bobeira com amigos. A gente relaxa e se diverte. 



Você tem histórias legais dos bastidores que o pessoal da comunidade não conhece? 

Vou contar qual foi meu momento preferido nas transmissões. Foi no Campeonato Mundial da Temporada 7, no Prudential Center, em Nova Jersey. Foi o primeiro Campeonato Mundial do Turtle. Estávamos andando nos bastidores e ele estava nervoso. Nós tínhamos que dar a volta toda para chegar onde precisávamos. Eu falei para ele virar à direita e passar pelo palco principal. Nós saímos, e as pessoas estavam começando a encher a arquibancada. Logo que começamos a andar, aquelas pessoas foram à loucura. Começaram a gritar nossos nomes. Eu parei e deixei o Turtle sair, e começaram a gritar o nome dele. Foi demais. Era a primeira vez que ele estava na frente de uma multidão. Eu disse: "Não fica nervoso, todo mundo te ama. Vou mostrar". Claro que ele mandou muito bem, e passou a trabalhar em tempo integral depois disso. 



Como você acha que o Rocket League Esports vai estar daqui a cinco anos? 

Já se passaram cinco anos [risos]! E eu sempre fui pessimista, desde o começo! Todo mundo falava que ia ser um sucesso. Eu dizia, "gente, não se animem demais". Eu achava que não era possível. São carros e uma bola! Ninguém jogava SARPBC quando ele foi lançado, oito anos atrás! Mas agora, o céu é o limite. Espero que possamos fazer mais coisas na TV. Acho que Rocket League é um jogo que atrai os fãs casuais. É fácil de acompanhar. Espero que a audiência aumente, e acho que isso vai acontecer à medida que o jogo cresce. Espero que se globalize mais e que todos possam se envolver. 



Assista ao Gibbs e a todos os talentos da RLCS durante todo o final de semana no Campeonato da RLCS X. Sintonize entre hoje e 20/06 ao vivo no Twitch e veja quem serão os campeões da temporada! 

 

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